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Measurement-Based Care (MBC): como Blended Care e Hybrid Care estão transformando o acompanhamento em saúde mental

Measurement-Based Care (MBC): como Blended Care e Hybrid Care estão transformando o acompanhamento em saúde mental

A saúde mental está passando por uma transformação importante em todo o mundo.

Durante muitos anos, o acompanhamento psicológico e psiquiátrico dependia quase exclusivamente do que acontecia dentro da sessão. O paciente relatava como havia se sentido nas últimas semanas, o profissional analisava essas informações e, a partir disso, definia os próximos passos do tratamento.

Embora esse modelo continue sendo extremamente importante, ele possui uma limitação conhecida: a memória humana nem sempre é precisa.

É comum que uma pessoa tenha dificuldade para lembrar como se sentiu ao longo dos últimos dias, quais sintomas estiveram mais presentes, quais situações geraram sofrimento ou até mesmo quais estratégias ajudaram nos momentos difíceis.

Foi justamente para enfrentar esse desafio que surgiram abordagens modernas como o Measurement-Based Care (MBC), o Blended Care e o Hybrid Care, modelos que vêm sendo adotados e estudados por universidades, hospitais, centros de pesquisa e serviços de saúde mental em diversos países.

O que é Measurement-Based Care (MBC)?

Measurement-Based Care, ou Cuidado Baseado em Medidas, é uma abordagem clínica que utiliza dados coletados regularmente ao longo do tratamento para apoiar a tomada de decisões terapêuticas.

Em vez de depender apenas da memória ou da percepção geral sobre a evolução do paciente, o profissional passa a acompanhar indicadores objetivos ao longo do tempo.

Esses indicadores podem incluir:

  • intensidade de sintomas de ansiedade;
  • sintomas depressivos;
  • qualidade do sono;
  • humor;
  • adesão ao tratamento;
  • frequência de comportamentos importantes;
  • funcionamento social e ocupacional;
  • resposta a intervenções específicas.

Em outras palavras, o tratamento deixa de ser baseado apenas em impressões e passa a incorporar informações registradas de forma contínua.

Isso não substitui a relação terapêutica.

Pelo contrário.

Os dados passam a enriquecer a conversa clínica, permitindo que profissional e paciente tenham uma visão mais clara da evolução do tratamento.

Por que isso é importante?

Imagine uma situação comum.

Um paciente chega à sessão e o profissional pergunta:

Como você esteve desde nossa última conversa?

A resposta pode ser:

Acho que foi uma semana ruim.

Mas quando analisamos os registros feitos ao longo da semana, descobrimos algo interessante:

  • houve dois dias muito difíceis;
  • porém cinco dias foram significativamente melhores;
  • a frequência de sintomas diminuiu;
  • o paciente utilizou estratégias de enfrentamento com sucesso;
  • houve melhora na qualidade do sono.

Sem registros, essa evolução poderia passar despercebida.

Com dados acompanhados ao longo do tempo, torna-se possível enxergar mudanças que muitas vezes não são percebidas apenas pela memória.

Essa é uma das razões pelas quais o Measurement-Based Care tem recebido cada vez mais atenção na literatura científica internacional.

O que é Blended Care?

Enquanto o Measurement-Based Care se concentra na utilização de dados para acompanhar a evolução do tratamento, o Blended Care amplia essa ideia ao integrar tecnologia e atendimento clínico.

O termo pode ser traduzido como:

cuidado combinado.

Nesse modelo, a terapia não acontece apenas durante a sessão.

O tratamento passa a ser apoiado por recursos digitais que complementam o trabalho realizado pelo profissional.

Esses recursos podem incluir:

  • registros de sintomas;
  • exercícios terapêuticos;
  • cartões de enfrentamento;
  • planos de ação;
  • conteúdos de psicoeducação;
  • lembretes;
  • acompanhamento de metas;
  • monitoramento contínuo.

A tecnologia deixa de ser apenas uma ferramenta de comunicação e passa a fazer parte do processo terapêutico.

O objetivo não é substituir o profissional.

O objetivo é ampliar a capacidade de acompanhamento entre as sessões.

O que é Hybrid Care?

Outro conceito que vem ganhando força é o Hybrid Care.

O cuidado híbrido combina diferentes formas de atendimento em uma única jornada terapêutica.

Por exemplo:

  • sessões presenciais;
  • teleatendimento;
  • acompanhamento digital;
  • monitoramento contínuo;
  • recursos educacionais.

Em vez de escolher apenas uma modalidade de cuidado, o modelo híbrido utiliza o que existe de melhor em cada uma delas.

Dependendo da necessidade do paciente, algumas intervenções podem acontecer presencialmente, outras por videoconferência e outras por meio de ferramentas digitais.

O foco passa a ser a continuidade do cuidado.

O papel da tecnologia na continuidade do tratamento

Um dos maiores desafios da saúde mental sempre foi o intervalo entre as sessões.

Durante esse período acontecem situações importantes:

  • pensamentos difíceis surgem;
  • sintomas aparecem;
  • estratégias são utilizadas;
  • desafios precisam ser enfrentados.

Tradicionalmente, grande parte dessas informações se perdia até o próximo encontro com o profissional.

Hoje, graças aos avanços tecnológicos e ao crescimento do Measurement-Based Care, do Blended Care e do Hybrid Care, tornou-se possível acompanhar essas experiências de forma muito mais próxima da realidade do paciente.

Isso permite que o tratamento seja mais personalizado, mais consistente e mais conectado ao dia a dia.

Como o EugenioLab se conecta a essa visão?

O EugenioLab foi desenvolvido justamente inspirado em muitos dos princípios presentes nesses modelos modernos de cuidado em saúde mental.

A proposta não é substituir a terapia.

A proposta é apoiar o trabalho realizado por profissionais e pacientes entre as sessões.

Recursos como:

  • registro de sintomas;
  • planos de ação;
  • cartões de enfrentamento;
  • anotações clínicas;
  • conteúdos de psicoeducação;

ajudam a criar uma visão mais completa da jornada terapêutica.

Quando utilizados em conjunto com o acompanhamento profissional, esses recursos contribuem para um modelo de cuidado mais próximo dos conceitos de Measurement-Based Care, Blended Care e Hybrid Care que vêm sendo discutidos internacionalmente.

O futuro da saúde mental

A tendência observada em diversos países é clara.

A saúde mental está caminhando para modelos que combinam:

  • evidências científicas;
  • acompanhamento contínuo;
  • tomada de decisão baseada em dados;
  • participação ativa do paciente;
  • integração entre profissionais e tecnologia.

O objetivo não é tornar o tratamento mais tecnológico.

O objetivo é torná-lo mais humano, mais preciso e mais conectado à realidade vivida por cada pessoa.

Nesse cenário, Measurement-Based Care, Blended Care e Hybrid Care representam muito mais do que tendências.

Eles representam uma nova forma de pensar o cuidado em saúde mental.

Uma forma que busca unir ciência, tecnologia e relação terapêutica para oferecer um acompanhamento cada vez mais eficaz e significativo.

“Isso não é uma moda de aplicativo ou uma opinião do EugenioLab. São conceitos discutidos pela American Psychological Association, pela American Psychiatric Association e por pesquisadores que estudam a integração entre psicoterapia e tecnologia há mais de uma década.” 

Referências e leituras adicionais

Measurement-Based Care (MBC)

American Psychological Association (APA) — Professional Practice Guidelines on Measurement-Based Care
https://www.apa.org/about/policy/guidelines-measurement-based-care.pdf
Diretriz oficial da APA sobre Measurement-Based Care. Leitura obrigatória para quem quer entender o conceito em profundidade.

APA Services — Measurement-Based Care
https://www.apaservices.org/practice/measurement-based-care
Explicação prática da APA sobre o uso rotineiro de avaliações para apoiar decisões clínicas.

Scott & Lewis (2015) — Using Measurement-Based Care to Enhance Any Treatment
https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC4910387/
Um dos artigos mais citados sobre MBC. Explica benefícios, aplicação clínica e impacto nos resultados terapêuticos.

Blended Care

Wentzel et al. (2016) — Mixing Online and Face-to-Face Therapy: How to Benefit From Blended Care in Mental Health Care
https://mental.jmir.org/2016/1/e9/
Provavelmente a principal referência introdutória sobre Blended Care em saúde mental.

Erbe et al. (2017) — Blending Face-to-Face and Internet-Based Interventions for Mental Disorders
https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC5622288/
Revisão ampla mostrando evidências sobre a combinação entre terapia presencial e recursos digitais.

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